Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

A Stella Mares guarda um bom lugar pra mim

E quando ela apareceu em sua vida, ele se viu em total desatino, o Universo nada mais era do que algo comum. Havia sol, plantas, vida; só não havia ar. Daí, ela foi entrando, tomando conta, sendo a senhora dos domínios, como que arrastasse tudo como um mar em tardes de inverno. Quanto a ele? Só lhe restava tentar colocar a cabeça para fora d’água e tentar respirar eis que ir contra a correnteza de nada iria lhe servir. Tanto foi por isso que acabou se deixando levar e, quando viu, não podia mais manter os pés em terá firme. Enquanto isso, ela parecia sumir e voltar, no mesmo ritmo do oceano, da mesma forma! Naquele momento o mundo parecia o mundo. Por muitas vezes tentava nada em sua direção achando que poderia alcançá-la, porém seu esforço era inútil, o mar fazia sua parte, sua parte de deixá-la longe... Então ele tentava sair da água, como que se quisesse fugir e via o frio que fazia ali, não podia suportar. E seguia sua luta; ele, nadador desesperado; ela, porto inatingível. Quem vê de fora consegue até enxergar alguma poesia neste bailar; já outros pensavam que valia a pena nada e muitos outros pensavam que só havia um esforço inútil para não se afogar, somente. Na verdade, enquanto ela se afastava, ele continuava a insistir... Pobre, sem saber que a cada braçada que dava nada mais era um simples esforço para existir e que a vida era feita dessas coisas, desse modo e sonhava, apesar de tudo, que a maré pudesse virar.

"Deixo a onda me levar

e espero nunca mais voltar

ao cais das dores que senti.


Com os dedos rasgo o mar

e me entrego a mundos que não mais

farão parte de ti."

Quarta-feira, Novembro 09, 2011

Sempre atravessamos e nunca acontece nada, nada.



Voltando em grande estilo, com o mestre Charles Bukowski! E para eles eu digo:


Verdade, Fernando, na vida só conheci os demônios que pensei que nunca conheceria!



"Podia ver a estrada à minha frente. Eu era pobre e ficaria pobre. Mas eu não queria particularmente dinheiro. Eu sequer sabia o que desejava. Sim, eu sabia. Queria algum lugar para me esconder, um lugar em que ningupem tivesse que fazer nada. O pensamento de ser alguém na vida não apenas me apavorava mas também me deixava enjoado. Pensar em ser um advogado ou um professor ou um engenheiro, qualquer coisa desse tipo, parecia-me impossível. Casar, ter filhos, ficar preso a uma estrutura familiar. Ir e retornar de um local de trabalho todos os dias. Era impossível. Fazer coisas, coisas simples, participar de piqueniques em família, festas de natal, 4 de julho, Dia do Trabalho, Dia das Mães... Afinal, é para isso que nasce um homem, para enfrentar essas coisas até o dia de sua morte? Preferia ser um lavador de pratos, retornar para a silidão de um cubículo e beber até dormir."

Terça-feira, Agosto 02, 2011

Autocrítica



Depois de saber de alguns comentários sobre o blog, andei pensando e fazendo uma autocrítica sobre o conteúdo. Na verdade, isso tudo é parte de mim sim, mas também faz parte de uma espécie de alter-ego. É como se fosse alguém além de mim, que teima em existir em um campo paralelo.

A grande verdade é que todos esses textos são ruins, palavras com gosto amargo, frases com rancor e pensamentos saudosos e pessimistas. Entrelinhas não valem de nada, nada!

O que se tenta retratar é o meio termo que existe entre o colorido e o preto e branco. Palavras e pensamentos que caem de um céu em um temporal de sentidos. Uma estrada complexa e torta, de um motorista errante; ou mesmo, tão somente aquilo que merece ser dito uma vez que se pensa.

Penso agora que você não deveria estar aqui; eu não deveria estar aqui e nada disso deveria estar por aqui; isso se a vida fosse do jeito que imaginávamos quando éramos crianças.

É que todos os textos, nada são.

Eu sou ruim e você também é ruim.

Aproveitem os caminhos.

Sexta-feira, Julho 15, 2011

Os Funerais do Coelho Branco - Parte II


Sempre gostei dessa expressão que essa banda pós punk, que eu cruto, criou, dizendo sobre "Os funerais do coelho branco". O sentido disso tudo é quando nós tiramos aquela roupinha bonita, branca e felpuda de coelhinhos dóceis, para nos vestirmos do jeito que realmente somos. Não é a roupa física, mas a roupa da alma mesmo, algo de dentro para fora. E é engraçado ver esse processo todo acontecendo e fazer comparações quando ele chega ao fim. Para tanto, resolvi postar a letra dessa música integralmente, pois adorei essa odisséia da degradação, e todo o produto final, que é NADA. "Atravesso a estrada, e nunca acontece, nada... Nada."

Os Funerais do Coelho Branco II
Dance of Days

Sartre da São João, hálito de bebida barata
e meio Vila Rica amassado no bolso.
Devorador de memórias de prostitutas e arruinados,
o doce prazer dos últimos trocados.
Hoje escreverei o livro de toda minha vida,
e trocarei os manuscritos por beijos e carinhos pagos.
Foi tudo um engano.
Um enorme engano do acaso.
E acabei aqui, vencedor mais derrotado, de troféu entre os braços,
sem ninguém pra me chamar de herói.
Velando meus coelhos brancos.
(...)
As pessoas não ficam, sempre passam,
evitam contato com o homem e seus desencantos.
E eu assisto tudo, como um filme de quinta categoria,
sem saber porque faço ou falo coisas.
Em um cinema sujo e triste, as mulheres me cospem, o coração desiste
e deixo o orgulho para as moscas.
(...)
Um brinde então, a esse odor de quarto úmido,
a televisão que não sintoniza.
Um brinde ao Domingo, ao tédio, a esse colchão imundo,
onde casais feios treparam por dias.
Eu sou herói de ninguém e quero um quarto sem espelhos.
Um corpo sem nome pra abraçar com os joelhos.
Porque hoje sou o que sou, o leão covarde da boca do lixo
na estrada de tijolos mais suja e cheia de bichos.
Decorei poesias, li Kierkegaard, Nietzsche até o raiar do dia.
E só conheci mesmo na vida os demônios sujos que não conhecia.
(...)
Verdade Fernando, jamais conheci mesmo quem levasse porrada
e todos que conheci me chutaram mesmo caído à calçada.
Holden estou aqui, de esperanças enterradas.
Atravesso, atravesso a estrada e nunca acontece nada... nad
a.

Quarta-feira, Junho 29, 2011

Mas você lembra?

Lembra das manhãs em que despertávamos sorrindo, rejeitando gostos e cheiros e se entregando a beijos e sexo recém-amanhecer? Lembra dos gestos, dos últimos olhares, das despedidas, das chegadas? Lembra do cheiro que minha pele tinha quando tocava a sua? Lembra da cor do meu sorriso quando via o seu?
Mas você não se lembra? Pode confessar, não vou brigar.
Você não se lembra de nada. Pergunto-me qual foi a última vez que pensou em mim. Não pergunto a você, pois temo a resposta. Creio que tenha me apagado de uma vez das suas lembranças, das suas memórias, tão cheias, feridas, tão machucadas, eu diria.
Lembra por que me amou um dia?
Lembra do que há em mim que te chamou a atenção?
Lembra, ao menos uma vez, uma última vez, do gosto do meu beijo quando beijava o teu beijo.
Hoje, sou apenas uma sombra. Refaça-me, pois hoje sou apenas um, fantasma, que quer habitar suas memórias...

Quinta-feira, Junho 16, 2011

Bandeira a meio mastro


É sempre assim, às vezes eu busco botar um bocado de felicidade em mim. Escuto uma música, leio um livro, vejo um filme; mas sempre me parece que há algo aqui dentro que frustra esse meu plano e sempre me faz lembrar de que tristeza acaba sendo regra e é assim que as coisas que eu escrevo aqui acabam brotando, fruto de uma inspiração que eu não queria ter. E com ele vem mais um conjunto de sentimentos.

Muita coisa na minha vida já rareou, e eu escrevo, pois é alguma coisa me resta.

Os dias que vão passando não me deixam saudades, saudades eu tenho da época em que nem sabia o que significava a palavra saudade, e eu só tinha que seguir em frente, somente.

Sentimento de inadequação psico-social, sem explicação. Daí todos me dizem obras puras de eufenismos, para coisas que eu já sei sobre a realidade. Chegam de peitos estufados e cheios de si, nessas madrugadas que nos deixam em carne viva!

Daí em diante, recolhido, quieto e ensimesmado. Mas há de convir, nunca me expus tanto, você sequer para me impedir. Com esse alvoroço que andam as coisas, mal engoli no almoço e nem sinto o gosto algum.

Eu te aconselho: Nem queria saber, nem queira saber.

O que me mantém vivo, também me mata e me machuca. É a dor. Tem que doer na carne a ferida aberta e exposta. Depois, no final das contas, tudo vira carne de abutre.

Quinta-feira, Junho 02, 2011

Dazed and Confused*

É este o nosso o lugar.

“Mas eu não quero me encontrar com gente louca”, observou Alice.
” Você não pode evitar isso”, replicou o gato.
“Todos nós aqui somos loucos. Eu sou louco, você é louca”.
“Como você sabe que eu sou louca?” indagou Alice.
“Deve ser”, disse o gato, “Ou não estaria aqui”.
Lewis Carroll


Estamos perdidos na floresta.

Muito juizo… Sempre, sempre eu digo… Mas eu não consigo ter…

Pois é Alice… Pois é…

*Título e post baseados na ótima música do Led Zeppelin.